O vírus Mpox, anteriormente conhecido como “varíola dos macacos”, voltou ao centro das atenções globais em 2026 devido à detecção de novas cepas recombinantes e à persistência de surtos em diversas regiões, incluindo o Brasil. Este artigo apresenta um panorama completo e fundamentado em pesquisas científicas sobre a origem, os sintomas, as formas de contágio e as medidas de prevenção essenciais para a população.
1. Origem e Contexto Histórico

O Mpox é uma zoonose viral causada pelo vírus MPXV, pertencente ao gênero Orthopoxvirus, o mesmo grupo do vírus da varíola humana (erradicada em 1980). Identificado pela primeira vez em macacos de laboratório na Dinamarca em 1958, o primeiro caso humano foi registrado em 1970 na República Democrática do Congo [1].
Historicamente, o vírus era endêmico em regiões de floresta tropical da África Central e Ocidental. No entanto, em maio de 2022, um surto global sem precedentes levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar a doença como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), status que foi reativado em agosto de 2024 devido ao aumento de casos da Clade Ib na África [2].
2. Sintomas e Identificação
Os sintomas do Mpox costumam aparecer entre 5 e 21 dias após a exposição ao vírus. A doença geralmente evolui em duas fases:
•Fase Prodrômica (Inicial): Caracterizada por febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor nas costas, baixa energia e, crucialmente, o inchaço dos gânglios linfáticos (linfadenopatia), que ajuda a distinguir o Mpox de outras doenças como a catapora.
•Fase de Erupção Cutânea: Geralmente começa de 1 a 3 dias após o início da febre. As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, evoluindo para bolhas cheias de líquido e, finalmente, crostas que caem.
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Característica
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Detalhes
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Febre
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Geralmente o primeiro sinal, acompanhado de calafrios.
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Lesões na Pele
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Podem aparecer no rosto, mãos, pés, genitais e região perianal.
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Linfadenopatia
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Inchaço no pescoço, axilas ou virilha.
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Duração
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Os sintomas costumam durar de 2 a 4 semanas.
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3. Formas de Contágio
A transmissão do Mpox ocorre principalmente por meio do contato próximo e direto com uma pessoa infectada. As principais vias incluem:
1.Contato Direto: Toque em lesões cutâneas, fluidos corporais ou crostas de uma pessoa infectada.
2.Contato Sexual: O contato íntimo durante o sexo é uma via significativa de transmissão no surto global atual.
3.Gotículas Respiratórias: Contato prolongado face a face com indivíduos infectados.
4.Objetos Contaminados: Uso compartilhado de roupas, toalhas, lençóis ou utensílios que estiveram em contato com as lesões de alguém doente.
5.Transmissão Zoonótica: Contato direto com sangue, fluidos ou lesões de animais infectados (geralmente roedores ou primatas) [3].
4. A Nova Variante de 2026: Recombinação Viral
Em fevereiro de 2026, a OMS confirmou a detecção de uma nova cepa recombinante do vírus Mpox. Esta variante surgiu quando dois tipos diferentes do vírus (Clades Ib e IIb) infectaram simultaneamente o mesmo indivíduo, resultando em uma troca de material genético [4].
Casos foram identificados inicialmente no Reino Unido e na Índia, sugerindo que a cepa pode estar mais disseminada do que o documentado. Embora as manifestações clínicas desta nova variante pareçam semelhantes às das linhagens anteriores, o sequenciamento genômico tornou-se essencial para sua identificação, uma vez que testes de PCR convencionais podem não diferenciá-la com precisão [5].
5. Prevenção e Tratamento
A prevenção é a ferramenta mais eficaz para controlar a disseminação do vírus. As recomendações atuais incluem:
•Vacinação: No Brasil, a vacina contra o Mpox está disponível pelo SUS para grupos prioritários, como pessoas vivendo com HIV/AIDS e profissionais de laboratório que manipulam o vírus [6].
•Higiene: Lavagem frequente das mãos com água e sabão ou uso de álcool em gel.
•Isolamento: Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem permanecer em isolamento até que todas as crostas das lesões tenham caído e uma nova camada de pele tenha se formado.
•Uso de Máscaras: Recomendado em ambientes com pessoas infectadas ou suspeitas.
Quanto ao tratamento, a maioria dos casos de Mpox é leve e se resolve espontaneamente. Para casos graves ou em pacientes imunossuprimidos, antivirais como o Tecovirimat podem ser utilizados sob supervisão médica rigorosa [7].
Perspectivas e Recomendações Finais
O Mpox permanece um desafio de saúde pública que exige vigilância contínua e informação precisa. A detecção da variante recombinante em 2026 reforça a necessidade de manter estratégias de monitoramento genômico e acesso equitativo a vacinas. Ao identificar sintomas suspeitos, é fundamental procurar atendimento médico imediato e seguir as orientações das autoridades de saúde.
Referências:
1.World Health Organization (WHO). Mpox Fact Sheet. 2024.
2.Ministério da Saúde do Brasil. Mpox: orientações técnicas para a assistência à saúde. 2025.
3.CDC. About Mpox. 2024.
4.CNN Brasil. OMS confirma surgimento de nova variante da Mpox com mistura de linhagens. Fevereiro de 2026.
5.G1 Globo. Nova variante da mpox é detectada fora do país. Fevereiro de 2026.
6.Conselho Federal de Farmácia (CFF). Brasil registra 55 casos de mpox em 2026. Fevereiro de 2026.
7.PAHO. Situation Report: Mpox Multi-Country Outbreak. Setembro de 2025.










